É a vez das super-heroínas

 Por Catarine de Souza

 

Qual o seu super-herói preferido? Que menino nunca ouviu essa pergunta antes em algum momento de sua vida? No entanto, essa questão não é levantada para as meninas e a grande pergunta que fica: por quê? Por que meninas não podem brincar de “lutinha”, colocar uma capa e salvar o mundo?

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Mulher Maravilha

Em uma proposital tentativa, talvez nem tão proposital assim, Hollywood vem alterando essa imagem. Recentemente as heroínas vêm ganhando mais espaço nas telas do cinema, inclusive com filmes próprios. Um dos principais ícones que será reapresentado ao público é a Mulher Maravilha, lançada em 1941. Segundo o criador da heroína, William Moulton Marston, ela era “o tipo de mulher que deveria governar o mundo”. Ainda que desenhada em um uniforme apelativo, em 2017 a princesa amazona ganha um roteiro só dela, para contar sua trajetória até a heroína mundialmente conhecida.

Um pouco distante do mundo dos quadrinhos, personagens femininas saídas de livros também são destaque e mostram a força das mulheres, tanto na personalidade, quanto nas bilheterias. Jogos Vorazes, que conta a saga de Katniss Everdeen, e Divergente, com Tris Prior como protagonista, misturam ficção e fantasia, romance, aventura e lotam salas de cinema por todo o globo.

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Katniss Everdeen

Recentemente, o empoderamento feminino chegou a televisão. Em 2015, os personagens dos quadrinhos tiveram destaque, com séries comandadas pelas mulheres. Derivada do filme do Capitão América o Primeiro Vingador, Peggy Carter ganhou uma série só dela, a Agent Carter. O canal ABC transmite a série que está em sua segunda temporada. No Brasil, o canal Sony exibe o show e o Netflix já disponibilizou a primeira temporada completa para seus assinantes.

Por falar no Netflix, é justamente o canal streaming que produziu e lançou a série Marvel’s Jéssica Jones. Saída diretamente dos quadrinhos da Marvel, a heroína conquistou seu espaço na grade de programação dos fãs de HQ’s e dos aficionados por séries, que aguardam ansiosos a segunda temporada do show. Outro destaque de 2015, que encerra sua primeira temporada em 2016, é Supergirl. A prima do famoso super-herói também saiu direto dos quadrinhos para a telinha, com um programa totalmente dedicado a ela e a sua história. Sem Superman, o foco é todo na Garota de Aço e no seu crescimento como mulher e como heroína.

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Tris Prior

Além do heroísmo, as três séries têm uma coisa em comum: mulheres no poder. A série é totalmente delas. As narrativas são totalmente diferentes, apesar de apresentarem o clássico de todo programa de televisão do gênero: Ação e romance. A diferença é que aqui, a ação é por conta delas e o romance é secundário. O mercado está se abrindo para novas formas de abordagem, com heroínas fortes e felizes, heroínas que lutam em prol do reconhecimento e heroínas que seguem para viver o dia a dia convivendo com o fantasma de um abuso.

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Agent Carter

A mestre em antropologia Carolina Magalhães, acredita que esse destaque em um meio tão importante como a televisão, dá as mulheres uma oportunidade de não serem vistas como o sexo frágil ou objeto de desejo: “A mulher ganha destaque, mas os valores dados pela sociedade machista ainda permanecem. A imagem de que a mulher, por mais que conquiste seu espaço nas várias esferas da sociedade, ainda tem como característica principal a de cuidar do lar, ser apegada a uma figura masculina ou ter que ter um filho para reforçar sua feminilidade”, afirma.

O universo da televisão e do cinema já acompanha há muito tempo os super-heróis, como Batman, Superman, Arrow, The Flash. As mulheres estão presentes, sim, mas sempre como papéis de apoio, o romance que impulsiona os atos heroicos dos mocinhos, o suporte para aliviar a tensão. Colocar as super-heroínas como protagonistas das suas histórias, sem o “homem” para salvá-las, auxilia a mudar os conceitos preconceituosos e opressores da sociedade.

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Jessica Jones

É importante que as meninas possam ver mulheres em papéis de força e superioridade, e não só como a mocinha que precisa ser resgatada ou que só fica feliz se tiver ao lado do super-herói. A adolescente, Bruna Costa de 17 anos, responde com rapidez quando perguntada sobre seu super-herói favorito: “Katniss Everdeen e Supergirl. Katniss é minha super-heroína favorita porque ela é independente e corajosa, ela luta por suas próprias causas e pela mudança em seu mundo ”. Sobre a Supergirl ela cita o apoio familiar e dos amigos, a coragem e bondade como características que mais chamam a sua atenção e enaltecem a personagem. “Embora completamente diferentes, são duas heroínas muito especiais que fazem o que for pelas pessoas que amam e lutam pela justiça na sociedade em que vivem fazendo a diferença em seus respectivos mundos ”, explica.

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Supergirl

As séries com super-heróis e heroínas atinge em especial um público em formação, o adolescente. Carolina acredita que apesar do número de adultos que acompanham esses shows, são os mais novos que realmente importam e que podem mudar o cenário do machismo que existe fora das telinhas também. Ela cita ainda que os programas que retratam a história do super-herói poderiam tirar a mulher do papel de mocinha que precisa ser sempre resgatada ou de apoio para que o homem tome alguma decisão importante para a história: “Existem tantas releituras de histórias, as dos super-heróis também poderiam ser feitas sem alterar o teor do personagem principal, já que a maioria deles luta, acima de tudo por justiça.

Esperança

Mesmo que com passos lentos o cenário parece estar se alterando. As jovens que acompanham essas séries e outras que colocam as mulheres em situação de poder, seguem otimistas quanto a diminuição do machismo dentro e fora das telinhas e telonas. Não se faz um filme de super-herói sem uma mulher, e agora essas mulheres vêm ganhando força e lutando lado a lado com os homens.

Beatriz Moraes de 20 anos, acredita que mostrar as mulheres na televisão em papéis fortes e de destaque pode alterar a forma como o mundo as vê: “Os personagens femininos estão cada vez ganhando mais espaço, o que faz com que a mulher seja vista em sua essência, sendo capaz de qualquer coisa assim como homem. Você pode confiar sua vida a qualquer uma delas, sem ter medo que sejam fracas o bastante para não salvar você ”, destaca.

Bruna acredita que ver super-heroínas na televisão possa mudar a visão que as meninas têm de suas mães, irmãs e amigas, passando a ver em pessoas comuns e próximas a heroína que existe em cada mulher. “Acho que toda minoria precisa de espaço na TV, pois impõe grande influência na vida social. É preciso retratar não apenas as mulheres, mais os negros, a comunidade LGBTQ, os latinos e todas as minorias, que ainda buscam espaço. Então que as heroínas possam abrir caminho para isso, cada vez mais”, acrescenta.

Meninas do mundo todo precisam de mulheres em papéis de força, precisam de alguém dizendo que elas podem fazer a diferença, precisam crescer sabendo que elas podem ser heroínas, que elas podem fazer aquilo que os meninos vêm fazendo desde muito pequenos e há muito tempo. Nem sempre é o que elas escutam, ou assistem. Uma pose e uma capa fazem sim toda a diferença para quem cresce ouvindo que, isso é de menino, menina assiste filme de princesa e não pode brincar de “lutinha”. Mulheres podem fazer aquilo que elas bem entenderem.

 

De olho nas telas

Em junho 2017, a DC Comics vai lançar o filme solo da Mulher-Maravilha, que teve sua primeira aparição ao público esse ano no filme Batman vs Superman. Gal Gadot interpreta a heroína, que terá sua trajetória contada nos cinemas.

A grande concorrente da DC, a Marvel, vai esperar até 2019 para colocar uma das suas heroínas em um filme solo. Apesar de todo o sucesso da Viúva Negra nos filmes dos Vingadores e Capitão América, quem vai ficar com o solo é a Capitã Marvel. Ainda sem elenco definido e data confirmada, o filme deve contar a história da agente da CIA que ganha superpoderes.

Nas telinhas, a Netflix já confirmou a segunda temporada de Jéssica Jones, porém sem data de estreia. A CBS, emissora que produzia Supergirl nos Estados Unidos, vendeu os direitos de reprodução do show para a CW, que confirmou a segunda temporada da série para outubro de 2016. No Brasil, o programa é exibido pelo Warner Channel. Já a Agent Carter não recebeu confirmação de renovação para a terceira temporada, e a série foi cancelada.

 

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